Em destaque:

Nosso tradicional Conto Natalino:
O seqüestro do Papai Noel

Veja também:
Twitter: "Saiba como e use bem"
Qual é a nossa? Descubra o Dicas Sobre Nada

domingo, 8 de fevereiro de 2009

A empadinha, por Dante

Segunda Temporada - Décimo Capítulo


Naquele dia, Profeta Celestino e Dante atrasaram-se alguns minutos para o almoço. Foi o suficiente para encontrarem apenas uma mesa, próxima de Duplo V, Zé Rola e o líder deles, o arquiinimigo do Profeta; supostamente, o facínora “Encoxador Misterioso”.
Dante ficou agitado com isso.
- Que droga, ter de sentar assim tão perto desse cara. Se não estivesse com tanta fome eu nem almoçava. Se não estivesse com tanta fome, até perderia o apetite. Odeio esse cara! Que droga, estragou meu dia!
- Calma, amigo! – interveio o Profeta - Não adianta você ficar assim, incomodado. São os únicos lugares disponíveis e a culpa é nossa pelo atraso. Mas, vamos comer nossa comida, É o melhor que fazemos.
Momentos depois, sentados e almoçando, o Profeta observou que Dante e Zé Rola murmuravam coisas para si mesmos e faziam caretas um para o outro. Já era a hora de saber a razão da rixa entre eles.
- Amigo, nunca lhe perguntei. Afinal, qual o motivo de tanta animosidade entre vocês? Sempre foi assim ou aconteceu alguma coisa que levou a isso?
- Nem sempre foi assim, Profeta. Quando eu cheguei aqui, ele era apenas um dos pacientes, não fazia a menor diferença para mim. Até algumas das atividades terapêuticas e de trabalho nós fizemos juntos. Quer dizer, EU fiz e ele me atrapalhou. O cara sempre foi um desastrado.
Dante se dirige explicitamente a Zé Rola:
- O que você perdeu aqui que está olhando, idiota?
- Calma Dante! – pediu o Profeta - Deixe-o para lá e me conte o que aconteceu.
- Como eu estava dizendo, fizemos algumas atividades juntos, embora o cachorro babão mais atrapalhasse que qualquer outra coisa. Seria simplesmente mais um interno, se não fosse a festa do Big Boss.
- Festa do Big Boss? Que festa?
- Foi pouco depois que o Big Boss chegou aqui, quando a empresa onde ele trabalhava ainda se importava. Ele fez aniversário e a empresa organizou uma festa na clínica. Havia salgadinhos, refrigerantes, doces e até um bolo. Quer dizer, o bolo ninguém comeu, porque o Roosevelt, que estava cuidando do Big Boss, se distraiu um momento e ele conseguiu não sei como colocar um monte de merda em cima do bolo. Aí tiveram de levá-lo de volta para o quarto e jogar o bolo fora.
- Que chato! Mas o que aconteceu de tão grave na festa?
- A festa estava boa, a comida era muito gostosa. Mas eu fiquei com vontade de experimentar a empadinha.
- E por que não experimentou?
- Eu não sou o maior fã de empadinhas do mundo, por isso não a comi de cara, preferindo as bolinhas de queijo. Mas como ouvi dizer que a empadinha era muito boa, fiquei curioso e resolvi experimentar. Quando cheguei na mesa, havia uma única empadinha na bandeja. Eu ia pegá-la quando o cachorro do Zé Rola chegou correndo e segurou a minha mão. Eu falei “- Ei! Eu cheguei primeiro!”, ele falou que ele chegou primeiro, já que era mais rápido do que eu e que por isso ia comer. Eu falei que ele já tinha comido empadinhas que eu vi, e que eu não tinha, então quem ia comer era eu. Ele falou que eu não comi porque não quis, eu falei que agora eu quero. Ele falou que eu ia ficar querendo, que ele gostou e ia comer mais. Eu falei que nem a pau, que eu dava uma surra nele e que eu é que iria comer a empadinha.
- E ele, falou o que mais? Quem dos dois comeu, afinal?
- Não falou mais nada, nem comeu e nem eu comi. Viramos para pegar a empadinha, e alguém a tinha comido durante a nossa discussão. No fim não sei nem que gosto ela tinha.
- E depois, o que aconteceu?
- Eu fiquei puto da vida com ele. Falei que por causa dele eu ia ficar sem saber que gosto tinha a empada. Ele disse que por minha causa ficaria com vontade de comer outra. Eu disse que ficar sem comer era pior, e ele que pior era ter comido e ficar querendo mais. Acabamos por nos agarrar ali mesmo, aos tapas. Rolamos pelo chão, derrubamos a mesa de doces e acabamos sendo levados para a Solitária. Por causa disto que eu nunca vou perdoar esse cachorro babão.
- Mas este nem é um motivo tão grave assim, meu amigo. E Renato Cordeiro prega o perdão e a amizade entre as pessoas, não acha que é hora de mudar de pensamento?
- Nunca! O senhor e o Senhor Renato Cordeiro que me desculpem, mas esse cara eu não perdôo de maneira alguma. Além de não comer a empadinha e nem os doces, já que estragamos todos, eu acabei indo para a Solitária sem ter culpa de nada. Os doces tudo bem, eu nem ligo tanto. Mas a empadinha e a Solitária eu não perdôo de maneira alguma.
- E agora fica a trocar caretas e resmungos com ele por conta disto?
- Não! Eu faço muito mais que isso! Sempre que eu posso, dou um jeito de sacanear com ele. Na ludoterapia, passo cola nos papéis dele, e falo mal dele para todo mundo..., já até tentei trocar os remédios dele, mas o Roosevelt anda atento e ainda não consegui... E vou me vingar do dia em que ele e aquele idiota do Duplo V me jogaram no quarto do Big Boss.
- Não faça nada, meu amigo. Perdoa. É melhor para você!
- De maneira alguma, tenho meu orgulho!
- Orgulho não leva a nada. E existem maneiras melhores de se superar as questões.
- Não, Profeta. Não perdôo e nem esqueço. E vou fazer uma com ele para me vingar, pode ter certeza. É esperar e ver...
- Tudo bem, meu filho. Agora coma que sua comida está esfriando.
O Profeta sabia que aquela animosidade entre Dante e o Zé Rola, capanga do seu arquiinimigo, lhe era muito útil.

Por Enio Vedovello, COC.



Índice de capítulos
17) A fuga
16) Uma missão para o Profeta
15) Um troféu para o Encoxador
14) Encoxando as Enfermeiras
13) Pastoreando as Ovelhas
12) Encoxando a Beata
11) Encoxaram o Profeta
10) A empadinha, por Dante
09) A empadinha, por Zé Rola
08) A encoxada que cura
07) A fé que salva
06) Ao encontro das ovelhas
05) Na Ala Feminina
04) Um cara atrapalhado
03) Troca Perigosa
02) Big Boss
01) A visão do Profeta

Primeira temporada completa: A caça ao Encoxador Misterioso

2 leitoras(es) comentaram:

Carla disse...

bom passar por aqui e ler o que escreves
beijos

Nadezhda disse...

Parece até eu e minha irmãessa jistória da empadinha!
;)