Segunda Temporada, Décimo-sétimo e último capítulo.
Encoxador:
Hora do almoço. Estamos na fila do bandejão. Pessoalmente, preferia o sistema anterior, quando éramos servidos na mesa. Porém, com a chegada de um grande número de novos internos, quase todos oriundos da área de tecnologia, esse sistema foi implantado para agilizar as refeições, mas não foi bem aceito pela maioria.
Hora do almoço. Estamos na fila do bandejão. Pessoalmente, preferia o sistema anterior, quando éramos servidos na mesa. Porém, com a chegada de um grande número de novos internos, quase todos oriundos da área de tecnologia, esse sistema foi implantado para agilizar as refeições, mas não foi bem aceito pela maioria.
Duplo V está na minha frente, precedido por Zé Rola. Ambos estão calados, catatônicos no seu mundo particular. Quase todos na fila estão em silêncio. De repente, o primeiro, um doido que nunca chamou minha atenção, começa a gritar a plenos pulmões:
- Não tem queijo para comer com a goiabada! Não tem queijo para comer com a goiabada!
Um murmúrio ecoa pela sala de refeição, emitido em coro por quase todos os presentes:
- Oh!
Profeta:
Estou na fila da refeição, logo atrás de Dante. Adiante de nós, além de alguns internos que só conheço de vista, percebo o maldito que acredito ser o Encoxador Misterioso, junto aos seus capangas, Duplo V e Zé Rola.
Ainda que absorto em meus pensamentos e orações, percebo que algum rumor se inicia logo na frente do grupo deles. Procuro ouvir o que se passa. Um dos internos está reclamando que a sobremesa é goiabada, mas não tem queijo. Fala algo sobre Julieta sem Romeu.
Dante vira-se para mim, com cara de dúvida. Esclareço para ele o que está acontecendo:
- Estão reclamando que a sobremesa é goiabada sem queijo.
Dante parece não se importar; vira-se para o balcão de comidas, onde o atendente coloca uma porção de arroz em sua bandeja. Volto aos meus pensamentos.
Preciso encontrar um meio de cumprir a missão que recebi de Renato Cordeiro, de deter o Grande Mal que tem atacado os profissionais de Tecnologia da Informação.
Acredito que meu guia, o grande Renato Cordeiro, providenciará os meios para que eu cumpra a missão que me confiou.
Estou na fila da refeição, logo atrás de Dante. Adiante de nós, além de alguns internos que só conheço de vista, percebo o maldito que acredito ser o Encoxador Misterioso, junto aos seus capangas, Duplo V e Zé Rola.
Ainda que absorto em meus pensamentos e orações, percebo que algum rumor se inicia logo na frente do grupo deles. Procuro ouvir o que se passa. Um dos internos está reclamando que a sobremesa é goiabada, mas não tem queijo. Fala algo sobre Julieta sem Romeu.
Dante vira-se para mim, com cara de dúvida. Esclareço para ele o que está acontecendo:
- Estão reclamando que a sobremesa é goiabada sem queijo.
Dante parece não se importar; vira-se para o balcão de comidas, onde o atendente coloca uma porção de arroz em sua bandeja. Volto aos meus pensamentos.
Preciso encontrar um meio de cumprir a missão que recebi de Renato Cordeiro, de deter o Grande Mal que tem atacado os profissionais de Tecnologia da Informação.
Acredito que meu guia, o grande Renato Cordeiro, providenciará os meios para que eu cumpra a missão que me confiou.
Encoxador:
Agora todos estão falando ao mesmo tempo!
- Imagine! Goiabada sem queijo!
- Julieta sem Romeu!
- Quem é a Julieta, a goiabada ou o queijo?
- Claro que é a goiabada, que é doce!
- Você quer dizer que o Romeu é fresco?
- O queijo que é fresco!
- Aí Romeu, o doido aqui te chamou de fresco!
O Romeu, um esquisito que vive pelos corredores declamando Shakespeare, dá um empurrão no que disse que o queijo era fresco, e joga sobre ele seu prato cheio de arroz.
Era o que faltava! Os miolos-moles começam a jogar comida uns nos outros.
Agora todos estão falando ao mesmo tempo!
- Imagine! Goiabada sem queijo!
- Julieta sem Romeu!
- Quem é a Julieta, a goiabada ou o queijo?
- Claro que é a goiabada, que é doce!
- Você quer dizer que o Romeu é fresco?
- O queijo que é fresco!
- Aí Romeu, o doido aqui te chamou de fresco!
O Romeu, um esquisito que vive pelos corredores declamando Shakespeare, dá um empurrão no que disse que o queijo era fresco, e joga sobre ele seu prato cheio de arroz.
Era o que faltava! Os miolos-moles começam a jogar comida uns nos outros.
Profeta:
É neste momento que a minha mente se ilumina. Maravilhoso Renato Cordeiro! A solução pode estar na minha frente. Literalmente falando! Basta que eu saiba como tirar proveito da situação...
Não perco tempo. Aproximo-me de Dante e comento:
- Infelizmente existem pessoas que não são nada solidárias. Alguns acabam com o queijo, outros não abrem mão da última empadinha, e sequer se importam se as outras pessoas também querem comer...
A reação é imediata, e melhor do que eu poderia imaginar. Dante, irritado, enfia a mão na bandeja, agarra um bocado de seu arroz com feijão e o atira contra Zé Rola:
- Seu ladrão de empadinhas! Aposto que foi você que acabou com o queijo, também!
Zé Rola comenta algo sobre nem ter chegado ao doce ainda. Agarra um bife acebolado no balcão e o atira contra Dante. O bife bate no casaco eternamente imundo e escorre para o chão. O casaco é tão seboso que nem se percebe o ponto onde o bife bateu. Uma rodela de cebola pendurou-se em um dos botões, mas Dante nem percebeu. Está procurando algo mais para jogar em Zé Rola.
Outros internos começam a entrar na confusão, a maioria sem sequer sabe o que está acontecendo. O que importa para eles é a confusão em si, a possibilidade de atirarem coisas uns nos outros.
É neste momento que a minha mente se ilumina. Maravilhoso Renato Cordeiro! A solução pode estar na minha frente. Literalmente falando! Basta que eu saiba como tirar proveito da situação...
Não perco tempo. Aproximo-me de Dante e comento:
- Infelizmente existem pessoas que não são nada solidárias. Alguns acabam com o queijo, outros não abrem mão da última empadinha, e sequer se importam se as outras pessoas também querem comer...
A reação é imediata, e melhor do que eu poderia imaginar. Dante, irritado, enfia a mão na bandeja, agarra um bocado de seu arroz com feijão e o atira contra Zé Rola:
- Seu ladrão de empadinhas! Aposto que foi você que acabou com o queijo, também!
Zé Rola comenta algo sobre nem ter chegado ao doce ainda. Agarra um bife acebolado no balcão e o atira contra Dante. O bife bate no casaco eternamente imundo e escorre para o chão. O casaco é tão seboso que nem se percebe o ponto onde o bife bateu. Uma rodela de cebola pendurou-se em um dos botões, mas Dante nem percebeu. Está procurando algo mais para jogar em Zé Rola.
Outros internos começam a entrar na confusão, a maioria sem sequer sabe o que está acontecendo. O que importa para eles é a confusão em si, a possibilidade de atirarem coisas uns nos outros.
Encoxador:
O Dante, assecla do Profeta Celestino, joga coisas sobre o Zé Rola, que revida.
Outros internos entram na bagunça. Pronto, começou a Babilônia!
Por outro lado, esse tumulto pode ser a oportunidade que eu aguardava para sair daqui. Tenho um objetivo maior a me esperar.
O Dante, assecla do Profeta Celestino, joga coisas sobre o Zé Rola, que revida.
Outros internos entram na bagunça. Pronto, começou a Babilônia!
Por outro lado, esse tumulto pode ser a oportunidade que eu aguardava para sair daqui. Tenho um objetivo maior a me esperar.
Sou o Encoxador Misterioso, baby, e, lá fora, em algum lugar, está uma mulher poderosa, “A Grande Padronizadora”, que, sem saber, espera ansiosa por mim e pela cura que vou levar, que fará com que ela deixe de lado suas preocupações com padrões e metodologias, e se entregue definitivamente ao que realmente interessa: o prazer.
Você vai ganhar seu troféu, querida! Não perde por esperar!
Para minha sorte, Duplo V sai do transe e fica sem saber o que fazer assim que se dá conta do que acontece.
- De pensar morreu um burro! – é seu primeiro ditado do dia.
Vou instruí-lo segundo meus interesses:
- Duplo V, veja essa multidão enlouquecida. Eles não sabem o que fazem. Precisam do comando de alguém firme e decidido, capaz de levá-los ao objetivo maior, a entrega do “grande projeto”. Esse é o momento Duplo V! Não pense! Chame-os e leve-os para sua ilha!
Duplo V arregala os olhos, respira fundo e grita a plenos pulmões:
- Malta! A ilha é Malta!
Tira as roupas em uma fração de segundo e começa a correr pelado entre a multidão, derrubando todos que ficam na frente do seu corpanzil imenso e desengonçado. Sua cabecinha de ovo cozido treme a cada grito que dá.
- Malta! A ilha é Malta!
Pega a bandeja com a goiabada e começa a jogar os pedaços nas paredes. Pobre diabo, como eu poderia querer que conduzisse alguém, se não tem condições nem de conduzir a si mesmo?
A confusão está generalizada. Com exceção de alguns internos que ficam sentados em silêncio, sem dar a entender que sabem o que se passa, todos os demais jogam comida uns nos outros, e riem às gargalhadas. O chão está escorregadio com a carne de panela que viraram no centro da sala de refeições.
Apenas dois internos estão lúcidos neste momento. Eu e o Profeta Celestino, que está parado do outro lado da sala de refeição. Trocamos um rápido olhar. Sempre desconfiei que ele não era tão biruta como os outros. O quê estará tramando?
Você vai ganhar seu troféu, querida! Não perde por esperar!
Para minha sorte, Duplo V sai do transe e fica sem saber o que fazer assim que se dá conta do que acontece.
- De pensar morreu um burro! – é seu primeiro ditado do dia.
Vou instruí-lo segundo meus interesses:
- Duplo V, veja essa multidão enlouquecida. Eles não sabem o que fazem. Precisam do comando de alguém firme e decidido, capaz de levá-los ao objetivo maior, a entrega do “grande projeto”. Esse é o momento Duplo V! Não pense! Chame-os e leve-os para sua ilha!
Duplo V arregala os olhos, respira fundo e grita a plenos pulmões:
- Malta! A ilha é Malta!
Tira as roupas em uma fração de segundo e começa a correr pelado entre a multidão, derrubando todos que ficam na frente do seu corpanzil imenso e desengonçado. Sua cabecinha de ovo cozido treme a cada grito que dá.
- Malta! A ilha é Malta!
Pega a bandeja com a goiabada e começa a jogar os pedaços nas paredes. Pobre diabo, como eu poderia querer que conduzisse alguém, se não tem condições nem de conduzir a si mesmo?
A confusão está generalizada. Com exceção de alguns internos que ficam sentados em silêncio, sem dar a entender que sabem o que se passa, todos os demais jogam comida uns nos outros, e riem às gargalhadas. O chão está escorregadio com a carne de panela que viraram no centro da sala de refeições.
Apenas dois internos estão lúcidos neste momento. Eu e o Profeta Celestino, que está parado do outro lado da sala de refeição. Trocamos um rápido olhar. Sempre desconfiei que ele não era tão biruta como os outros. O quê estará tramando?
Profeta:
A confusão que criei é excelente para meu objetivo, mas ainda não o consegui. Preciso encontrar um meio de direcionar tudo isto, de modo que eu consiga fugir da Clínica. Afasto-me alguns passos, buscando espaço para conseguir pensar.
Observando a multidão de internos que se aglomera, trocando tapas, puxões de cabelo e atirando porções de comida uns nos outros, mentalmente oro a Renato Cordeiro, pedindo que me ilumine e me auxilie a encontrar uma maneira de transformar esta oportunidade em meio de fuga.
É nesta hora que meu olhar se cruza com outro olhar, frio e calculista. Percebo que, como eu, o maldito também está afastado do tumulto. Também observa com atenção o que está ocorrendo e tem um ar pensativo.
Não muito distante de mim encontra-se a solução. Vejo Theodore Roosevelt tentando inutilmente conter a multidão. Ele corre de um para outro, tenta segurar um interno aqui, afasta dois brigando ali, tira uma bandeja das mãos de um interno que está prestes a arremessá-la, corre de um lado para outro, quase se esborrachando no chão, ao escorregar em um bife que estava em seu caminho.
De repente, ele parece se dar conta da inutilidade de seu esforço. Como um jovem diante de uma coluna de tanques, ele para defronte à multidão em tumulto. Aproximo-me dele.
- A coisa está feia, caro Theodore!
- Nem fale! Eu bem que tentei controlar, seu Profeta! Mas é muito mais gente do que eu consigo. E justo num dia que não tem quase ninguém trabalhando. Estou pensando em chamar o Diretor...
- E o que o Diretor vai fazer Theodore? Sentar-se atrás da mesa e dar ordens? Ele não vai resolver nada. A gente precisa é chamar a polícia!
- O senhor acha seu Profeta?
- Claro Theodore! Primeiro que a simples visão de um policial geralmente é suficiente para amedrontar as pessoas. Além disto, se for preciso, eles têm condições de chamar a tropa de choque para e segurar esse bando de loucos...
- É mesmo! Acho que o senhor tem razão seu Profeta... Vou telefonar para eles.
- Telefonar demora demais Theodore. Vamos lá, eu vou com você, ajudar a encontrar algum policial na rua, é mais rápido.
No caminho, passamos próximos a Dante. Ele não está mais brigando com Zé Rola. Preocupa-se apenas em pegar coisas no chão para atirar em alguém. O agarro pelo braço e o arrasto comigo.
A confusão que criei é excelente para meu objetivo, mas ainda não o consegui. Preciso encontrar um meio de direcionar tudo isto, de modo que eu consiga fugir da Clínica. Afasto-me alguns passos, buscando espaço para conseguir pensar.
Observando a multidão de internos que se aglomera, trocando tapas, puxões de cabelo e atirando porções de comida uns nos outros, mentalmente oro a Renato Cordeiro, pedindo que me ilumine e me auxilie a encontrar uma maneira de transformar esta oportunidade em meio de fuga.
É nesta hora que meu olhar se cruza com outro olhar, frio e calculista. Percebo que, como eu, o maldito também está afastado do tumulto. Também observa com atenção o que está ocorrendo e tem um ar pensativo.
Não muito distante de mim encontra-se a solução. Vejo Theodore Roosevelt tentando inutilmente conter a multidão. Ele corre de um para outro, tenta segurar um interno aqui, afasta dois brigando ali, tira uma bandeja das mãos de um interno que está prestes a arremessá-la, corre de um lado para outro, quase se esborrachando no chão, ao escorregar em um bife que estava em seu caminho.
De repente, ele parece se dar conta da inutilidade de seu esforço. Como um jovem diante de uma coluna de tanques, ele para defronte à multidão em tumulto. Aproximo-me dele.
- A coisa está feia, caro Theodore!
- Nem fale! Eu bem que tentei controlar, seu Profeta! Mas é muito mais gente do que eu consigo. E justo num dia que não tem quase ninguém trabalhando. Estou pensando em chamar o Diretor...
- E o que o Diretor vai fazer Theodore? Sentar-se atrás da mesa e dar ordens? Ele não vai resolver nada. A gente precisa é chamar a polícia!
- O senhor acha seu Profeta?
- Claro Theodore! Primeiro que a simples visão de um policial geralmente é suficiente para amedrontar as pessoas. Além disto, se for preciso, eles têm condições de chamar a tropa de choque para e segurar esse bando de loucos...
- É mesmo! Acho que o senhor tem razão seu Profeta... Vou telefonar para eles.
- Telefonar demora demais Theodore. Vamos lá, eu vou com você, ajudar a encontrar algum policial na rua, é mais rápido.
No caminho, passamos próximos a Dante. Ele não está mais brigando com Zé Rola. Preocupa-se apenas em pegar coisas no chão para atirar em alguém. O agarro pelo braço e o arrasto comigo.
Encoxador:
O Profeta Celestino está conversando com o enfermeiro chefe, o Theodore, um dos mais birutas daqui. Estão indo em direção a porta. O Profeta resgata Dante da multidão e o leva junto com eles. Estarão indo para a saída?
Não tenho tempo a perder! O quê fazer? O quê fazer? Já sei!
O Profeta Celestino está conversando com o enfermeiro chefe, o Theodore, um dos mais birutas daqui. Estão indo em direção a porta. O Profeta resgata Dante da multidão e o leva junto com eles. Estarão indo para a saída?
Não tenho tempo a perder! O quê fazer? O quê fazer? Já sei!
Uma multidão convulsa e sem rumo precisa de um líder.
Subo em uma mesa e grito o mais alto que posso:
- Atenção! Atenção! Atenção! Caros companheiros de clínica! A resposta que todos procuram está aqui, ao nosso alcance. Vejam, lá, na direção da saída: O Profeta está nos mostrando o caminho! Sigam o Profeta!
Subo em uma mesa e grito o mais alto que posso:
- Atenção! Atenção! Atenção! Caros companheiros de clínica! A resposta que todos procuram está aqui, ao nosso alcance. Vejam, lá, na direção da saída: O Profeta está nos mostrando o caminho! Sigam o Profeta!
Profeta:
Enquanto caminhamos em direção à porta, percebo que a massa de malucos começa a vir em nossa direção, ainda que não pareçam ter idéia do que estão fazendo. Concluo que preciso fazer Theodore ser mais rápido. Afinal, eu não posso correr o risco de que ele note o que está acontecendo às nossas costas.
- Precisamos ser rápidos, Theodore. Veja como o barulho está crescendo, aqueles loucos daqui a pouco começam a se matar, e é capaz de alguém ainda dizer que a culpa é sua!
- O senhor acha seu Profeta?
- Infelizmente, eu acho. Existem pessoas maldosas e aproveitadoras em todos os lugares.
Theodore aperta o passo. As coisas começam a dar certo para mim.
Enquanto caminhamos em direção à porta, percebo que a massa de malucos começa a vir em nossa direção, ainda que não pareçam ter idéia do que estão fazendo. Concluo que preciso fazer Theodore ser mais rápido. Afinal, eu não posso correr o risco de que ele note o que está acontecendo às nossas costas.
- Precisamos ser rápidos, Theodore. Veja como o barulho está crescendo, aqueles loucos daqui a pouco começam a se matar, e é capaz de alguém ainda dizer que a culpa é sua!
- O senhor acha seu Profeta?
- Infelizmente, eu acho. Existem pessoas maldosas e aproveitadoras em todos os lugares.
Theodore aperta o passo. As coisas começam a dar certo para mim.
Encoxador:
Todos os malucos que ouviram meu chamado seguem comigo atrás do Profeta Celestino, que está com seu assecla, o Dante, e o Theodore, o enfermeiro chefe, na porta principal da saída da clínica. É uma oportunidade única que tem que ser aproveitada.
Começo a gritar e conclamo a todos para gritarem comigo:
- Abra a porta, Profeta! Abra a porta, Profeta! Abra a porta, Profeta!
E todos se apertam em direção à saída. A questão já ficou séria. A porta precisa ser aberta para evitar uma tragédia.
- Abra a porta, Profeta! Abra a porta, Profeta! Abra a porta, Profeta!
Todos os malucos que ouviram meu chamado seguem comigo atrás do Profeta Celestino, que está com seu assecla, o Dante, e o Theodore, o enfermeiro chefe, na porta principal da saída da clínica. É uma oportunidade única que tem que ser aproveitada.
Começo a gritar e conclamo a todos para gritarem comigo:
- Abra a porta, Profeta! Abra a porta, Profeta! Abra a porta, Profeta!
E todos se apertam em direção à saída. A questão já ficou séria. A porta precisa ser aberta para evitar uma tragédia.
- Abra a porta, Profeta! Abra a porta, Profeta! Abra a porta, Profeta!
Profeta:
Chegando à porta, um novo problema: Theodore, que não é muito melhor que os pacientes que ele cuida, se confunde todo tentando encontrar a chave. Uma confusão inútil, já que basta olhar para a porta e ver que a chave é tetra, ao contrário da maioria das outras, que são chaves simples.
- E agora, qual é a chave? Eu nunca sei, geralmente quando saio tem alguém aqui...
- Deve ser uma destas maiores, aqui, Theodore. Elas são diferentes das outras, como a fechadura da porta.
A turba de malucos já está próxima. Começo a me preocupar, afinal se eles chegarem até nós, Theodore pode perceber meu intuito e todo o meu esforço será em vão.
Piorando, ele está tão nervoso que tem dificuldades em enfiar a chave na fechadura. Tenho de segurar a sua mão para ajudá-lo. Para minha sorte, a porta abre-se na segunda tentativa.
Com a porta aberta, não me importa mais que ele perceba ou não que os outros estão nos seguindo. Mas Renato Cordeiro faz tudo da melhor forma possível, e Theodore está tão concentrado em procurar um policial que ainda não percebeu o tumulto atrás de nós.
- E agora seu Profeta, o que eu faço?
- Agora é que você precisa ser rápido: corra até aquela esquina, vi um carro de polícia passar por ali.
- Está bem, vou correr para lá.
Então ele segue sem olhar para trás. Vou sentir saudade do Theodore e das suas trapalhadas. Agora, é chegado o momento de deixarmos a clínica. Arrasto Dante em direção ao portão externo. Atrás de nós, vem um monte de gente.
Chegando à porta, um novo problema: Theodore, que não é muito melhor que os pacientes que ele cuida, se confunde todo tentando encontrar a chave. Uma confusão inútil, já que basta olhar para a porta e ver que a chave é tetra, ao contrário da maioria das outras, que são chaves simples.
- E agora, qual é a chave? Eu nunca sei, geralmente quando saio tem alguém aqui...
- Deve ser uma destas maiores, aqui, Theodore. Elas são diferentes das outras, como a fechadura da porta.
A turba de malucos já está próxima. Começo a me preocupar, afinal se eles chegarem até nós, Theodore pode perceber meu intuito e todo o meu esforço será em vão.
Piorando, ele está tão nervoso que tem dificuldades em enfiar a chave na fechadura. Tenho de segurar a sua mão para ajudá-lo. Para minha sorte, a porta abre-se na segunda tentativa.
Com a porta aberta, não me importa mais que ele perceba ou não que os outros estão nos seguindo. Mas Renato Cordeiro faz tudo da melhor forma possível, e Theodore está tão concentrado em procurar um policial que ainda não percebeu o tumulto atrás de nós.
- E agora seu Profeta, o que eu faço?
- Agora é que você precisa ser rápido: corra até aquela esquina, vi um carro de polícia passar por ali.
- Está bem, vou correr para lá.
Então ele segue sem olhar para trás. Vou sentir saudade do Theodore e das suas trapalhadas. Agora, é chegado o momento de deixarmos a clínica. Arrasto Dante em direção ao portão externo. Atrás de nós, vem um monte de gente.
Encoxador:
As portas da Clínica se abrem e todos saem em confusão. Não olho para trás; corro sem parar em direção aos portões externos, que são meramente decorativos e fáceis de transpor. Não me importa o que acontecerá com meus, agora antigos, assessores, Duplo V e Zé Rola. São apenas dois pirados que um dia atravessaram a perigosa linha entre o profissionalismo e a obsessão, e acabaram internados, desequilibrados e confusos. Devem ficar cuidado um do outro, acredito.
As portas da Clínica se abrem e todos saem em confusão. Não olho para trás; corro sem parar em direção aos portões externos, que são meramente decorativos e fáceis de transpor. Não me importa o que acontecerá com meus, agora antigos, assessores, Duplo V e Zé Rola. São apenas dois pirados que um dia atravessaram a perigosa linha entre o profissionalismo e a obsessão, e acabaram internados, desequilibrados e confusos. Devem ficar cuidado um do outro, acredito.
Profeta:
Após corrermos alguns passos em direção à liberdade, permito que paremos para respirar um pouco. Com a ajuda de Renato Cordeiro, estou livre para cumprir minha nova missão. Tenho um futuro incerto pela frente, mas acredito que serei capaz de cumprir o destino que me foi estabelecido pelo meu mestre.
Ao longe, seguindo em outra direção, entre outros loucos que fogem para todos os lados, percebo meu adversário, que sempre acreditei ser o Encoxador Misterioso.
Dou-me conta que, mesmo sem nos falarmos, de alguma forma trabalhamos juntos, e ambos conseguirmos fugir. Não que isso o torne mais agradável a mim, mas me faz ver que mesmo com pessoas que não suporto, existindo um objetivo comum, é possível trabalhar em equipe.
- Vamos Dante, temos uma missão divina para cumprir!
Após corrermos alguns passos em direção à liberdade, permito que paremos para respirar um pouco. Com a ajuda de Renato Cordeiro, estou livre para cumprir minha nova missão. Tenho um futuro incerto pela frente, mas acredito que serei capaz de cumprir o destino que me foi estabelecido pelo meu mestre.
Ao longe, seguindo em outra direção, entre outros loucos que fogem para todos os lados, percebo meu adversário, que sempre acreditei ser o Encoxador Misterioso.
Dou-me conta que, mesmo sem nos falarmos, de alguma forma trabalhamos juntos, e ambos conseguirmos fugir. Não que isso o torne mais agradável a mim, mas me faz ver que mesmo com pessoas que não suporto, existindo um objetivo comum, é possível trabalhar em equipe.
- Vamos Dante, temos uma missão divina para cumprir!
Encoxador:
Salto o muro externo e olho ao redor. Poucos internos chegaram comigo até aqui. Muitos que estavam na agitação não tinham noção da possibilidade de fuga, e ficarão presos lá na clínica, indefinidamente.
Olha só quem vai lá longe: o Profeta Celestino, e o seu inseparável assecla, o Dante. Tenho que admitir que ele foi o responsável pelas portas serem abertas. Acabamos trabalhando juntos, mesmo sem querer. Uma hora ou outra, alguém que julgamos desprezível acaba nos dando uma mão.
Salto o muro externo e olho ao redor. Poucos internos chegaram comigo até aqui. Muitos que estavam na agitação não tinham noção da possibilidade de fuga, e ficarão presos lá na clínica, indefinidamente.
Olha só quem vai lá longe: o Profeta Celestino, e o seu inseparável assecla, o Dante. Tenho que admitir que ele foi o responsável pelas portas serem abertas. Acabamos trabalhando juntos, mesmo sem querer. Uma hora ou outra, alguém que julgamos desprezível acaba nos dando uma mão.
Agora, livre, sigo rumo à minha maior encoxada. Seus dias de tédio e rotina estão chegando ao fim, baby.
No dia seguinte:
Zé Gerúndio há muito tempo estava quieto. Nada de atender aos chamados de perigo. Nada de ler jornais procurando algo a investigar, agir e desvendar. Zé era outro homem. Difícil achar a vida excitante depois de seu derradeiro confronto, onde ele foi exigido por completo. Corpo e mente trabalhando em sua totalidade pra finalmente se sair vitorioso..., mais uma vez.
Zé nunca perdera um caso, mas agora não aceitava mais qualquer caso. Nada lhe parecia atraente no mundo calmo, e Zé Gerúndio, o detetive herói, dava o braço a torcer admitindo que o crime lhe fazia sentir vivo.
Mais um dia em seu QG e mais um dia sem nada a fazer. Muito tempo assim, e se assim continuasse, Zé teria até que começar a procurar um emprego. Isso seria o fim dele. O fim de uma história gloriosa. Entrar numa rotina qualquer seria como morrer para Zé Gerúndio. Dog já se preocupava e tentava animá-lo de alguma forma. Seu cão fiel e mais esperto que carcará, segundo o próprio Zé Gerúndio, apontava os perigos como de habitual, mas Zé olhava e suspirava.
- Ah! Dog... Pede pra eles estarem chamando a polícia. Eles com certeza estarão resolvendo isso.
E Dog saía cabisbaixo sem saber o que fazer. Dava dó de ver esse grande homem andando e manquitolando de um lado a outro sem vontade de viver. Porém, dava mais dó ainda de ver Dog, seu fiel escudeiro, desesperado e sedento por ação. Desesperado por pressentir o perigo e avisar a Zé como sempre: correndo e se escondendo do confronto. Contudo, Dog não era de desistir fácil...
Caminhando pelas ruas próximas ao QG, atento a tudo e a uma lingüiça pendurada no açougue da esquina, Dog salivava e ouviu um comentário:
- Oxente menina! Tu viu no jornal de hoje?
- Vi não...
- Aquele doido dos ônibus que encoxava as mulherada fugiu e...
Dog esqueceu a lingüiça. Era isso! Zé precisava saber... e logo. Dog se dirigiu até a banca de jornais e viu a foto da repórter responsável pela notícia. Era Juliana Maçã. Dessa ele lembrava bem, pois além de estar envolvida no caso do Encoxador Misterioso, o mais difícil de toda a carreira da dupla, ela foi mais uma das tantas que caiu diante dos encantos estrábicos de Zé Gerúndio.
Dog não pestanejou e afanou um jornal. Saiu correndo com ele na boca seguido de perto pelo dono da banca, Seu Severino. Entrou no QG e foi correndo em direção a Zé, que estava sentado na frente da porta. Dog largou o jornal aos pés dele e em disparada se escondeu. Zé percebeu a aflição do seu fiel escudeiro e pressentiu algo diferente naquela manobra de Dog, mas foi atrapalhado pela chegada do Seu Severino:
- Aquele seu cachorro filo duma rapariga roubou um jornal na minha banca! Devolve!
Zé pegou o jornal. Deu nas mãos do Seu Severino e quando voltava à sua cadeira viu Dog abalado e inquieto.
- Seu Severino! Vou estar comprando esse jornal...
- Então tá! É cinco real.
- Tudo isso nesse jornalzinho?
- É! Ele custa só dois, mas teve entrega a domicílio e...
- Tá bom... Tá bom...
Zé abriu o jornal e viu entre as babas de Dog a foto de Juliana Maçã. Zé nunca esquecia uma de suas pequenas. Viu que ela era responsável pela manchete principal que dizia “Criminosos famosos fogem de manicômio”. Seu coração palpitou descompassado. Pegou o telefone para ligar para Juliana.
Fim da Segunda Temporada.
É isso aí amiguinhos e amiguinhas, a segunda temporada da série que faz gemer sem sentir dor chega ao fim!
Mas não se desespere: em agosto voltaremos com a terceira temporada, onde nossos bravos personagens, o incansável Encoxador Misterioso, o místico Profeta Celestino e o implacável Zé Gerúndio estarão à caça de uma grande e imbatível vilã: A Grande Padronizadora.
Aguarde!
Nossos agradecimentos ao Enio Vedovello, que escreveu o Profeta, o Dante e o Theodore!
E a você, que tem nos prestigiado nas duas temporadas.
Só para ter uma idéia, somos lidos até em Meca!
Índice de capítulos
17) A fuga
16) Uma missão para o Profeta
15) Um troféu para o Encoxador
14) Encoxando as Enfermeiras
13) Pastoreando as Ovelhas
12) Encoxando a Beata
11) Encoxaram o Profeta
10) A empadinha, por Dante
09) A empadinha, por Zé Rola
08) A encoxada que cura
07) A fé que salva
06) Ao encontro das ovelhas
05) Na Ala Feminina
04) Um cara atrapalhado
03) Troca Perigosa
02) Big Boss
01) A visão do Profeta
Primeira temporada completa: A caça ao Encoxador Misterioso

12 leitoras(es) comentaram:
E que venha a terceira temporada, com muita diversão para todos nós.
Miacabo de rir com esse Enconxador!
Gostei demais dessa temporada, que venham outras... quero ver o que acontecerá com Juliana Maçã.
;)
BeijO Toninho
E parabéns ao Enio.
Muito hilário o encoxador...
E é verdade meu amigo pra quem fica..Manhêeeee, Paiêeeee e auauê...rsss
Bjka
Toninho,
O amor é assim, né? Em qualquer canto e qualquer direção.
Semana de luz!
Rebeca
-
Toninho,
O amor é assim, né? Em qualquer canto e qualquer direção.
Semana de luz!
Rebeca
-
Podia começar a sair em "box" essa série, né?!
Voto sim!
Bjo
Você é muito engraçado!Amamos os seus comentários
que maravilha este texto!
desculpa só agora agradecer a amabilidade em desejar sucesso ao lançamento do meu livro.
Para já ele não vai ser lançado no Brasil, mas caso queira um exemplar eu estou a enviar através do correio
beijo
OOoi =]
Volta e meia eu venho aqui ver alguma dica sobre nada hehehehe :D
Legal a história! Apesar de que, confesso, li só esse último capítulo da segunda temporada... e estou com preguiça de ler os outros, perdoa? Num dia mais inspirado, prometo que lerei :D
:***
O encoxador sempre surpreendendo. :D
Muito obrigado a todos pelo prestígio e privilégio.
Escrever uma série é um exercício prazeiroso, que fica melhor ainda se coletivo.
Temos a sorte e o privilégio de contar com o Fernando, do Documento Tupiniquim, e com o Enio Vedovello.
Na próxima temporada, teremos a estréia do Adnor Júnior, que escreverá os vilões.
Será um trabalho a oito mãos. Os Titãs estão - estavam - aí para provar que dá certo.
E é gratificante ter leitores legais!
Obrigado novamente.
Braços!
Toninho Moura
Capitão Ócio
adoro ler-te...perfeito!
beijo
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