- Bom-dia!
- Bom-dia.
- Você pode me ajudar? Estou procurando a “Seção de - amores - achados e perdidos”.
- É aqui.
- Sério?
- Não seria?
- Desculpe... É que não tem placa nenhuma.
- Não tem.
- Por quê?
- Não precisa.
- Não? Sem placa, como as pessoas vão saber?
- Saber o quê?
- Que aqui é...
- Você encontrou.
- Encontrei por que te perguntei.
- Perguntou por que queria encontrar.
- Encontrar o quê?
- Um amor.
- Um amor?
- Não é isso que veio procurar?
- É... Mas... Quero dizer..., não importa. Pode me ajudar?
- Claro. Mas, para isso, preciso que responda uma pergunta.
- Pessoal?
- Em se tratando de amor, sempre é.
- Se tem que ser assim...
- Qual tipo de amor procura?
- Amor tem tipo?
- Claro. As pessoas o vêem como algo único, dizendo simplesmente “o amor”, sem levar em conta que, como todas as coisas, ele é classificável.
- Isso importa?
- Quando já se ama, naturalmente não nos preocupamos com isso. Mas quando se procura por um amor, por que não?
- Vendo dessa maneira... Quais seriam as opções?
- Para começar, precisamos admitir três elementos compondo o amor, ou o relacionamento amoroso, que é a sua manifestação: a intimidade, a paixão e o compromisso.
- Interessante.
- Tudo bem?
- Continue.
- Se um relacionamento é baseado apenas na intimidade, então não há amor; existe apenas a amizade.
- É verdade.
- Se acrescentar o compromisso, será uma amizade forte, talvez muito duradoura.
- Concordo. Mas não acho interessante.
- Se for baseado apenas na paixão, existe na medida em que o tempo passa e a intensidade dessa paixão se esvai. Pode ser uma paixão longa, ou não.
- É... E depois que acaba, vem uma frustração...
- Quando só existe o compromisso, é um amor vazio, onde ambos estão juntos porque precisam, e talvez nem exista intimidade, por menor que possa ser.
- Nesse eu não gosto nem de pensar.
- Já o amor romântico é uma mistura de intimidade e paixão, sem o compromisso. Talvez seja o mais divertido de todos.
- E aquele que maioria das pessoas deseja... E quando os três elementos estão juntos?
- Aí temos um amor consumado, vivido na intensidade da paixão e na troca de segredos e intimidades, e seguro no compromisso de ambos.
- Esse já é o relacionamento sério. Hum... Não há algum mais passageiro?
- Há o amor fugaz, mistura de intimidade e compromisso. É intenso e rápido, gratificante para ambos, porém sem expectativa de futuro. Mas não há nenhum assim aqui.
- Não há?
- Amores fugazes são tão rápidos que acabam antes de serem perdidos.
- É verdade. Eles chegam e passam. Mas, acho que há uma coisa errada aqui...
- Errada? Como assim?
- Se essa é a seção de – amores – achados e perdidos, qualquer pessoa que venha até aqui, a princípio, já conhece o amor que veio procurar.
- É verdade. Mas veja: seguindo seu raciocínio, se o conhece, sabe onde esse amor está.
- Está aqui. Aqui não estão os amores perdidos?
- Sim, apenas os amores perdidos. Os que sucumbiram à indiferença, à traição, à posse, ao ciúme, e aos tantos outros motivos que levam um amor a ser perdido. Por esses amores não se pedirá mais nenhum perdão, não se fará mais nenhuma promessa, nenhum sacrifício. O amor que você procura é assim?
- Não, eu acho... Não sei se é o meu caso...
- Então seu amor não está aqui, e você sabe onde ele está. Vá até ele, peça e implore, admita, reconsidere, prometa melhorar. Sempre há espaço para o entendimento quando se quer continuar a amar.
- Será que é possível?
- Nunca se sabe. Porém, enquanto puder tentar seu amor não estará perdido.
- E se não der certo?
- Seu amor será mais um nessa prateleira que está aqui, às minhas costas.
- Se meu amor estiver perdido, quem procurará por ele?
- Um amor que foi seu, com as emoções e sentimentos que proporcionou, será sempre seu e de mais ninguém.
- Então os amores que estão aí não são procurados, pois as pessoas que os perderam amaram novos amores, tocaram suas vidas, seguiram em frente.
- É uma maneira de se ver.
- Interessante... Bom, era só isso. Obrigada pela ajuda.
- Não tem de quê.
- Mais uma pergunta?
- À vontade.
- Vale a pena manter essa seção?
- Se vale a pena?
- É!
- Se alguém quiser rever e relembrar um amor não importa a quanto tempo perdido, saberá onde ele está.
- Mesmo que não tenha placa?
- E precisa?
Moral da história
Em se tratando de amor, sempre haverá uma esperança
Meu nome é Capitão Ócio
Esta foi mais uma das minhas aventuras. Conheça as outras.
Obrigado por ler o Dicas Sobre Nada
Romeu,
-
Esqueça o machismo, coloque mais água no feijão, flores nos vasos e fronhas
limpas nos travesseiros.
Abra as janelas e tire a poeira dos porta retratos.
E...

7 leitoras(es) comentaram:
Você já percebeu como é fácil perder um amor? Quanto mais a gente acredita que ele está seguro, menor a vigilância - e, quando percebe... cadê?
O amor e suas tantas interdependências. Mas, se não fosse para cuidar, para que amar, não é mesmo?
Amei o texto.
Beijos! =*
Ficou muito bom. E verdadeiro.
Como sempre e nos costumes, show de bola! Por essas e outras que sou sua maior fã!
Nem preciso dizer que ficou perfeito o texto! Mas, acredito que há tantos amores perdidos, porque as pessoas confundem amor, não sabem amar. Procuram o que não lhe servem ou são de outros. E assim a busca é infinita. Adorei. Bjs
a seçao sempre estara cheia..
Gostei muito. Achei poético, reflexivo. Lembrei de um personagem de um conto (meu)que dizia acreditar em qualquer amor - até nos pagos. Creio que essa seção esteja dentro de um grande magazine do amor. Abraço.
Maravilha poder escolher assim,como quem compra pão, pena que não é de verdade e olha cada um tem o amor que merece
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